terça-feira, 30 de agosto de 2016

DANÇA - MAR DE GENTE

Mar de gente (Ivaldo Bertazzo)



Mar de Gente, o primeiro espetáculo da Cia. Teatro Dança Ivaldo Bertazzo, tem como tema central o olhar do artista sobre a evolução do homem, seu percurso ao longo do tempo, a forma como nos inserimos no mundo atual e quais são suas possibilidades de sobrevivência no futuro. Essas questões são o ponto de partida da criação do novo espetáculo. “Não quero fazer uma crítica destrutiva ao mundo moderno, mas uma proposta de reflexão”, explica Ivaldo.

Para discutir os caminhos e as escolhas da humanidade, Bertazzo desenvolveu uma coreografia pautada na individualidade dos corpos dos jovens da Companhia. “Nosso desafio é realizar o encontro entre o corpo de um jovem urbano, contemporâneo, da periferia de uma grande cidade, com ritmos musicais dos séculos XIX e XX”, destaca Ivaldo.

Em Mar de Gente, há uma maior liberdade gestual e cada bailarino apresenta uma linguagem própria. Há diferentes propostas coreográficas, aprimoramento da técnica, e uma melhor compreensão do movimento e da expressão.

A MÚSICA

A trilha sonora de Mar de Gente foi criada com base em compositores que foram buscar, na música folclórica, inspiração para seu trabalho. Da Hungria, temos o trabalho da cantora Marta Sebestyen e da Budapest Baroque. Da Bulgária, o canto tradicional Women’s Choir of Sofia. Da Romênia, a música interpretada pela Paraschiv Opera Orchestra. A música tcheca está presente com uma peça de Leos Janacek (1854/1928). Já a música cigana chega por meio do som do grupo de ciganos europeus Les Yeux Noirs, que apresenta a música cigana com roupagem contemporânea. 
Leos Janacek

Les Yeux Noirs



Do Egito, Ivaldo nos apresenta Soliman Gamil (1924/1994), um músico experimental que pontuou seu trabalho a partir de uma pesquisa com instrumentos do antigo Egito. Da Rússia, uma tríade de compositores clássicos do século XIX: Modest Petrovich Mussorgski (1839/1981), um dos pioneiros no estudo das raízes da música russa; Dimitri Shostakovitch (1906/1975), cuja obra clássica tem uma forte influência de temas militares; por fim, relembra o trabalho do Aleksandr Porfirevich Borodin (1833/1887), outro estudioso da música de origem russa.

Soliman Gamil

Modest Petrovich Mussorgski

Dimitri Shostakovitch 

Aleksandr Porfirevich Borodin



O FIGURINO

O figurino de Fábio Namatame integra-se harmonicamente à proposta do espetáculo. Como ele mesmo explica, “minha pesquisa seguiu em direção a lugares muito diferentes, mas que na verdade convergem para um resultado visual bastante semelhante. Procurei uma mistura de russos, mongóis, japoneses, turcos, indianos, balineses, africanos e alguns índios latino-americanos. Uma aparente mistura desconexa, a princípio, mas que, para minha surpresa, resultou em alguns elementos em comum de cada cultura, sem uma prévia identificação, mas com detalhes de corte e cores reconhecíveis de um povo guardado da nossa memória.”



O CENÁRIO

O palco totalmente limpo e sem referências foi idealizado para ressaltar o trabalho dos bailarinos. Tudo estará a serviço do desempenho do corpo de dança. O palco vazio será preenchido por um povoado de lugar nenhum e de todos os lugares, de uma forma teatral sem truques, mas com uma verdade de interpretação.



A proposta está enfocada no tema e não na criação de uma ambientação que nos remeta a algum espaço determinado. Pelo contrário, Bertazzo tem a intenção de destacar a individualidade e a capacidade da recriação poética através da emoção da interpretação coreográfica, teatral e sensorial dos bailarinos.

Uma escadaria no palco tem a função de destacar algumas cenas, colocando em planos diferentes subidas e descidas, altos e baixos, horizontalidade e verticalidade. Preta e neutra, irá se movimentar durante o espetáculo, sugerindo geografias cênicas. Tudo a serviço da trajetória da civilização.



O GRUPO

A Companhia TeatroDança Ivaldo Bertazzo, fundada em junho de 2007, é resultado de um trabalho de quatro anos de capacitação de jovens para o ingresso no mercado de trabalho artístico através de um projeto de parceria com o SESC, denominado Grupo Dança Comunidade/SESC, patrocinado pela Petrobrás e com co-patrocínio do Instituto Votorantim. Com este projeto, foram realizados os premiados espetáculos “Samwaad” (2003) e “Milágrimas” (2005).

Em Mar de Gente, primeiro trabalho profissional destes jovens, a Cia. TeatroDança Ivaldo Bertazzo realiza sua grande estréia, e muito além disso, uma enorme conquista.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O BARROCO

Música Barroca

Uma mudança marcante no mundo da música se deu no período do movimento barroco, por volta do século XVII. Os ritmos, que até então eram tocados nas orquestras, ganharam novos recursos, acrescentaram-se outros modos, a saber, aproveitaram mais dos modos maiores e menores, conhecidos também como modo jônico e eólio, respectivamente.

Nessa época que a música toma grandes proporções e atinge a igualdade. Os ilustres gênios dessa arte se sobressaem, tornando-a cada vez mais bela. A partir disso, nascem os ritmos instrumentais, tocados por Antonio Vivaldi, Johann Sebastian Bach, Domenico Scarlattie outros. A suíte e o concerto surgem juntamente.

A presença de novos tons dentro das escalas diatônicas (escala composta por oito notas), bem como modulações diferentes foram introduzidas, ao contrário do modo antigo, em que eram usados apenas um tom consonante (constante) e idênticos. A partir da influência da música barroca, um novo gênero nasceu: um drama cantado, as notáveis óperas.

No século XVI, vários artistas se reuniram, entre eles músicos, poetas e alguns nobres, na residência de Giovanni di Bardi, também conhecido como Conde de Vernio, para debater acerca da arte. O intuito desse grupo era de buscar inovações no campo musical; foi então que esse grupo formou a Camerata de Fiorentina.

A música passa a ter um acompanhamento, denominado baixo contínuo. Com essa base, os demais músicos poderiam inserir novas notas, a fim de enriquecer a melodia. Dessa forma, haveria mais aproveitamento dos instrumentos e dos cantores.


As principais formas empregadas são binária, ternária (ária da capo), rondó, variações (incluindo o baixo ostinato, a chacona e a passacaglia), ritornello e fuga. Quanto aos tipo de música os mais freqüentes são coral, recitativo e ária, ópera, oratório e cantata, abertura italiana, abertura francesa, tocata, prelúdio coral, suíte de danças, sonata de câmara, sonata de chiesa, concerto grosso e concerto solo.


Nesse período a instrumentação atinge sua primeira maturidade e grande florescimento. Pela primeira vez surgem gêneros musicais puramente instrumentais, como a suíte e o concerto. Nesta época, surge também o virtuosismo, que explora ao máximo o instrumento musical.

Suíte é como se chama o conjunto de movimentos instrumentais dispostos com algum elemento de unidade para serem tocados sem interrupções.

Concerto é uma composição musical escrita para um ou mais instrumentos solistas, cujo acompanhamento pode ser feito por uma orquestra ou um piano. Modernamente o termo tem sido empregado para qualquer espetáculo musical, nos mais diferentes formatos.

O estilo musical da época do movimento barroco trouxe algumas variações, entre elas estão a Monodia, que consiste em estabelecer as linhas de baixo contínuo e a melodia aguda na música e as partes intermediárias; a homofonia, que é o canto com uma variação na voz; as falas mais dramáticas como na ópera; a harmonização entre os vocais e os instrumentos, como nas cantatas.

As notas inégales, do francês, notas desiguais são bastante utilizadas na música barroca e também do Classicismo, onde se usa notas musicais de mesma duração, entretanto, com intervalos diferentes. Hoje, presente no estilo Jazz.

A ária, também utilizada na música barroca, consiste em uma composição de um cantor solista. As árias podem estar inseridas no interior de outras obras mais extensas e eram usadas nas óperas, cantatas e oratórios. Os solistas a utilizavam nas orquestras e elas contavam com mais cantores, formando duetos, tercetos e quartetos.

Os ritornellos, também conhecidos como refrão ou estribilhos são as partes que se repetem na música. Normalmente, a que é para ficar marcada e é usada nas músicas contemporâneas. As notas musicais eram separadas a partir do idioma. Por exemplo, as óperas italianas possuíam maior beleza, devido à suavidade do idioma, ao contrário da germânica.


Os ilustres artistas que revolucionaram a música na arte barroca, se caracterizavam pela excelência com que manejavam seus instrumentos. Eles conseguiam um aproveitamento que rumava para a perfeição de suas canções. Os mestres utilizavam violoncelos, violinos, órgãos, violas, cravos (instrumento semelhante a um piano) e também os pianos.

Surgiram as músicas de câmara, que eram estilos musicais eruditos, em que era utilizada uma pequena quantidade de instrumentos, ou mesmo de vozes, diferentemente dos concertos. A expressão "músicas de câmara" servia para qualquer estilo musical, desde que fosse um número de, no máximo, dez profissionais.

Essas músicas eram tocadas nos palácios, nas pequenas salas, e não contavam sempre com os solistas. Contudo, muitos desses pequenos grupos de músicos eram compostos por trios com pianos, quartetos de cordas ou até mesmo quinteto de sopro. Havia a opção de se usar alguns trios com solos, o que necessitaria de um maestro para reger o grupo.

As sonatas são músicas instrumentais que, no Barroco, eram escritas para os músicos solistas de instrumentos de cordas ou sopro, que decorria acompanhada do baixo contínuo – característica criada na música barroca. Diferente das sonatas do Classicismo que eram utilizadas para solos de pianos e normalmente dividida em dois temas iniciais, um desenvolvimento e mais dois temas finais.

Os principais músicos da arte barroca foram, na passagem entre o século XVI e XVII, na Alemanha, o ilustre Heinrich Schüz, Samuel Scheidt, Michael Praetorius e outros. No século XVIII, Johann Sebastian Bach – um dos maiores músicos da história, George Friedrich Händel. Na Itália, o violinista Antonio Vivaldi, que criou vários concertos, entre eles, o famoso 'As Quatro Estações'.

Isso ocorre graças a uma evolução no que diz respeito à fabricação dos instrumentos. É o caso, por exemplo, do violino, principalmente à partir do final do século XVII quando surge a mitológica Escola de Cremona.

Nesta cidade italiana desenvolveu-se, no período, uma verdadeira indústria artesanal de instrumentos de arcos, com ênfase especial no violino. A primeira oficina dos célebres Amati trouxe importantes mudanças ao instrumento, tornando-o não só mais belo, mas, principalmente, alcançando um timbre mais forte e poderoso. Assim, o cavalete do instrumento tornou-se mais alto, e o ponto ou espelho foi alongado; passou-se a usar cordas mais longas e esticadas. Além de Amati, pertenceu a escola de Cremona o célebre Antonio Stradivarius (1644-1737), cujo sobrenome é quase um sinônimo de violino.

Stradivarius (Stradivari) fez um violino mais comprido, reforçou o corpo e alargou os “ff” (abertura de som), enriquecendo assim ainda mais o timbre. Além dele é importante também destacar o nome do artesão Giuseppe Antonio Guarniere (1687-1745).

A família do violino veio a substituir gradualmente a das violas, e a orquestra foi gradualmente tomando forma, com as cordas constituindo uma seção de peso em sua organização, embora as outras seções não estivessem ainda padronizadas.

O barroco foi a época de máximo desenvolvimento de instrumentos como o cravo e o órgão, mas também surgiram várias peças para grupos pequenos de instrumentos, que iam de três até nove instrumentistas, a chamada música de câmara.
Um traço constante nas orquestras barrocas era o emprego do órgão ou cravo contínuo, preenchendo a harmonia, enriquecendo a tessitura e, de fato mantendo a unidade da orquestra.
Ainda na Itália, Claudio Monteverdi, escritor de óperas e 'pai da ópera', foi o responsável pela difusão e popularidade desse gênero dramático cantado. Outros dois famosos compositores da música barroca são os italianos, Domenico Scarlatti, ícone da música para cravo, e Arcangelo Corelli.

A França também revelou alguns artistas na música barroca e foi Jean-Baptiste Lully foi quem levou o gênero "ópera" para o país. Jean-Philippe Rameau fez algumas obras para cravo e François Couperin foi um autor de peças de teatro de cunho religioso.

Em Portugal e no Brasil, a música barroca se manifestou através de poucos compositores. Antônio José da Silva, conhecido como o Judeu, produziu obras que ganharam as trilhas sonoras de Antonio Teixeira. Os lusitanos, Francisco Antônio de Almeida e João Rodrigues Esteves, desenvolveram o trabalho com as óperas. Carlos Seixas produziu cerca de 700 sonatas, entre elas 'Abertura em Ré Maior', 'Sinfonia em Si bemol Maior' e um 'Concerto para cravo e orquestra em Lá Maior'.

Atualmente, em Portugal, ainda há orquestras barrocas. Divino Sospiro é o nome de uma orquestra lusitana e foi fundada em 2003, por Massimo Mazzeo, músico italiano. A orquestra se encontra no Centro Cultural de Belém, em Lisboa e é formada por cerca de 20 músicos.








sábado, 20 de agosto de 2016

A MUSICALIDADE VOCAL

1 - Canto Gregoriano


Por Paula Perin dos Santos





O canto Gregoriano é o canto litúrgico estabelecido pelo papa São Gregório Magno no século VI, adotado pela Igreja Católica como canto oficial, de caráter introspectivo e meditativo, por isso foi tão praticado nas ordens conventuais.


Papa Gregorio I


Como nessa época o Cristianismo passou a dominar os principais centros onde as artes floresciam, com a música não foi diferente. Assim, a música sacra oficial, por assim dizer, era o canto gregoriano e, em segundo lugar, a música não oficial, a profana. Esse tipo de música chamada popular era desprezado pelos adeptos do canto gregoriano, por ser vista como uma música que traziam efeitos negativos para a alma em oposição à música “elevada”, que conduzia o ser humano a algo superior.

Cantado em latim, o canto gregoriano exige uma técnica bastante apurada e um estilo peculiar em sua entoação. Seu objetivo é conduzir à meditação e à humildade, almejando unir o homem ao plano espiritual. Por ser uma música de prestígio social, tinha um lugar todo especial, de honra e privilegiado.

Ele recebeu influências da música judaica, pois os judeus foram os primeiros a se converterem ao cristianismo; do grego, já que até o século III d.C. os cultos eram celebrados nessa língua; do latim falado, que equilibra o acento das palavras durante o discurso.

É cantado a uma só voz, sem acompanhamento de instrumentos, às vezes usa-se um órgão ou um harmônico, para que não haja desafinação; não há compasso definido: o ritmo é livre, como na oratória; é diatônico, ou seja, as notas não sofrem alterações de sustenidos ou bemóis, com exceção do “Si Bemol”.

Monofonia é um termo da teoria musical para designar uma melodia desprovida de qualquer acompanhamento, indiferentemente se trata de canto ou música instrumental. A variante possível para a monofonia é quando a mesma melodia é entoada em oitavas diferentes ou quando é entoada por várias vozes ou instrumentos. Alguns autores admitem na monofonia um acompanhamento de percussão. Exemplo de monofonia é o canto gregoriano.

O canto gregoriano apresenta um grande parentesco com o canto da Antiguidade, mas com um forte contraste espiritual. Ele ainda tem a característica monódica, a ritmização em sílabas longas e curtas aliadas ao acento da palavra e apresenta também fator místico-mágico, que é o da doutrina cristã. A novidade é a métrica: as escalas e os movimentos melódicos não se dão mais por movimentos descendentes, como entre os gregos, mas seguem se desenvolvem primeiro em movimentos ascendentes, seguidos de descendentes. Introduzem também ornamentações e coloraturas, que servem para acentuar palavras importantes do texto religioso e marcar as sílabas finais da interpontuação.









2 - Contraponto musical



Tradicionalmente, nas estruturas musicais distinguem-se: o ritmo, a melodia e a harmonia. O significado e a função de cada um destes elementos é facilmente perceptível para a maioria dos ouvintes, mesmo os menos dotados. No entanto, se este trio funciona bem para alguma música clássica, ele não serve para a chamada polifonia.

Foi sobretudo na Renascença que este género musical se desenvolveu. O seu princípio básico é o de que não deve existir apenas uma voz, mas sim um emaranhado de vozes. Essas vozes devem sobrepõem-se respeitando as leis da harmonia (cada voz sente-se acompanhada pelas restantes) segundo uma aprimorada arte canónica que se designa por contraponto. Tal como um ballet, há vozes que procedem em paralelo, outras que as seguem a curta distância e outras que se vão aproximando ou distanciando simetricamente do centro do palco. Embora a evolução dos gostos musicais não tenha favorecido o contraponto, existem alguns autores, como Bach, em que os detalhes contrapontísticos sobressaem sobre os demais ingredientes musicais.

Com a ajuda da linguagem e dos conceitos matemáticos consegue-se, com total transparência, descrever algumas práticas contrapontistas. Também através da geometria, com a qual se exercita a intuição visual, é possível compreender a música mesmo quando se trata de um ouvido menos dotado. 





  • Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594)


Palestrina é, do Renascimento, um dos mais importantes compositores de música religiosa. Nasceu no ano de 1525, em Palestrina, no norte de Roma, e desde cedo estudou música. Em 1537 era menino de coro da igreja de Santa Maria Maggiore, em Roma, e nessa cidade estudou até 1540. Depois, voltou à sua cidade natal para aí ser mestre do coro da cidade. Mas entretanto, em 1550 Júlio II é eleito papa, e Palestrina é chamado a Roma para ser mestre da Capella Giulia. Um ano depois, publica o seu primeiro livro de Missas, mas em 1555 Júlio II morre e Palestrina é demitido por ser casado. Então, Palestrina sucede a Roland de Lassus como mestre de capela de São João de Latrão., e em 1561 torna a Santa Maria Maggiore. Em 1567 entra ao serviço do cardeal Ipolito d'Este, e torna-se diretor da Capela Sistina em 1571. Após a morte da sua mulher, casou com a filha de um rico comerciante de peles, e enriquece ao entrar no ramo, o que lhe permitiu publicar a sua obra até ao fim da sua vida.

Papa Julio II

Palestrina também compôs diversos madrigais profanos, com o a canção "L´homme armé" (que curiosamente fez parte de uma missa), mas é na música religiosa que Palestrina ocupa maior destaque. Não tendo a inventividade de um Byrd, ou muitos outros compositores da época, Palestrina é porém considerado o exemplo mais polido e perfeito da polifonia renascentista, e o rigor formal das suas obras e a beleza da sua polifonia dão às sua obras um encanto divino, sem no entanto estas intricadas estruturas retirarem a inteligibilidade do texto posto em música, geralmente o ordinário da missa em latim, algo extremamente importante para a eficiência de uma missa cantada, aliás uma das regras definidas pelo Concílio de Trento como regra para a música sacra. 





3 - Os Tipos de Voz





É importante salientar que cada pessoa possui uma extensão de voz própria. Se você gosta de um cantor ou cantora e tenta imitá-los, cuidado! Você está danificando sua voz sem perceber. Procure saber qual é a sua extensão vocal, qual é o seu limite e como é o seu timbre de voz, para se acostumar a ele.

Uma boa voz é aquela que pode ser administrada pelo cantor(a), para que cante o fonema certo, no tom, com clareza, no ritmo e num volume adequado.

No canto erudito é essencial a classificação vocal, pois o estilo exige uma técnica diferenciada. No canto coral esta classificação também é essencial, pois o grupo é dividido por vozes graves, médias e agudas, e esta divisão é feita a partir das categorias de vozes.

O canto popular é mais flexível para esta questão, onde as tonalidades das músicas tocadas se adaptam à realidade extensiva dos cantores.
Os elementos mais importantes para se classificar uma voz são:

-Extensão Vocal: o conjunto de todas as notas que uma pessoa consegue emitir, independente da qualidade.

-Tessitura: é o conjunto de notas que uma pessoa consegue emitir de forma confortável e com boa qualidade.

A estrutura corporal, as características anatômicas, a personalidade, a respiração, as características da emissão vocal são fatores que interferem no seu tipo de voz.

O Timbre é a característica de cada voz, podendo ser grave, médio ou agudo, alguns dizem que o timbre é a cor da sua voz. Cada pessoa possui o seu timbre. É normal que pessoas da mesma família tenham timbres parecidos. São fatores genéticos.

Tessitura é a medida da extensão da voz, assim como para os instrumentos musicais, de acordo com a quantidade de notas que cada um alcança.


As divisões vocais são as seguintes:


VOZ MASCULINA: da voz mais grave para a mais aguda:

1-Baixo: Timbre mais grave da voz masculina. Voz grossa, emitido no peito ou na máscara; Sua extensão vai do DO 1 ao FÁ 3.





2-Barítono: Timbre mediano (voz média). Nem tão grave, nem tão agudo. Também emitido no peito e na máscara. Sua extensão vai do SOL 1 ao LÁ 3.



3-Tenor: Timbre mais agudo da voz masculina. Som emitido entre os registros de cabeça e médio. Sua extensão vai do DÓ 2 ao RÉ 4.






4 - Contratenor - Voz de homem muito aguda, que iguala ou mesmo ultrapassa em extensão a de um contralto (Voz Grave Feminina). Muito apreciada antes de 1800, esta é a voz dos principais personagens da ópera antiga francesa (Lully, Campra, Rameau), de uma parte das óperas italianas, do contralto das cantatas de Bach, etc.






5 - Baixo-barítono - Mais à vontade nos graves e capaz de efeitos dramáticos. Exemplo: Wotan, em Die Walküre [A Valquíria], de Wagner.









VOZ FEMININA: da voz mais grave para a mais aguda:

1-Contralto: Timbre feminino mais grave. Som emitido no peito e na máscara. Sua extensão vai do MI 2 ao LÁ 4



2-Mezzo-soprano (meio soprano): Timbre semi-grave/aguda. Som emitido entre o registro do contralto e do soprano. Sua extensão vai do LÁ 2 ao SI 4



3-Soprano: Timbre feminino mais agudo. Som emitido no registro alta da cabeça. Sua extensão vai do DO 3 ao FÁ 5 



  • Soprano coloratura (palavra italiana), ou soprano ligeiro, o termo coloratura significava, na origem, "virtuosismo" e se aplicava a todas as vozes. Hoje, aplica-se a um tipo de soprano dotado de grande extensão no registro agudo, capazes de efeitos velozes e brilhantes. Exemplo: a personagem das Rainha da Noite, em Die Zauberflöte [A flauta mágica], de Mozart. 




  • Soprano lírico. Voz brilhante e extensa. Exemplo: Marguerite, na ópera Faust [Fausto], de Gounod. 



  • Soprano dramático. É a voz feminina que, além de sua extensão de soprano, pode emitir graves sonoras e sombrias. Exemplo: Isolde, em Tristan und Isolde [Tristão e Isolda], de Wagner.




O APARELHO VOCAL


"A Voz é o eco da alma" (Pitágoras) 


A Voz é um conjunto de sons produzidos pelo funcionamento do aparelho de fonação.

O aparelho vocal se compõe:

1.Aparelho respiratório: Os pulmões (depósitos de ar). Um sistema de fole que fornece o ar necessário à emissão vocal. É formado pela caixa torácica com seus elementos ativos musculares e o diafragma.

2.Órgão vocal vibrante:
Laringe com a glote, as cordas vocais e os ventrículos.

3.Sistema de ressonância :

a)Cavidades supraglóticas: faringe, f0ssas, nasais, seios paranasais, maxilares e frontais;

b)Cavidades subglóticas: traquéia, brônquios, pulmões e caixa torácica.

Contribuem para o ato da fonação os:

4.Articuladores:
Lábios, língua, dentes, palato duro e palato mole, que dão forma aos sons da linguagem.

5.Órgão coordenador: Sistema nervoso central.

As qualidades da voz são:

1.Intensidade:
A intensidade é dada pelo aparelho respiratório, no vigor da expiração.

2.Altura:
Proporcionada pelas vibrações das cordas vocais.

3.Timbre:
Proporcionado pelo sistema de ressonância. É o reforço do som.

Na voz humana o timbre depende das dimensões e da forma das cavidades de ressonância. No desenho abaixo apresentamos os órgãos que contribuem para a fonação.




O Tom da nossa voz deve estar à flor dos lábios.

Cavidades nasais: (respira-se pelo nariz) Quando estamos falando, respiramos pela boca. Nas pausas respiramos pelo nariz, ficando a boca fechada para evitar que a garganta se resseque. Estas observações são de grande importância, sobretudo para as pessoas que discursam, que fazem conferências, que falam em público.

O Cantor necessita aprender como usar a sua voz como um instrumento materializado, pois ele possui os órgãos fonatórios e a fonte de energia necessária, o sopro, para produzir o som. É também verdade que o cantor expressará de modos diferente esse canto interiorizado e sentido, segundo sua concepção da obra a ser interpretada e das infinitas nuances da sua voz. Seu poder expressivo refletirá tanto seu temperamento como sua personalidade.

A voz e a sua personalidade estão estreitamente relacionadas e são inseparáveis já que traduzem o ser humano na sua totalidade.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

ARTE CINÉTICA - ARTE DO MOVIMENTO


Arte cinética
A arte cinética, é uma corrente das artes plásticas que explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos ou ilusão de óptica ou truques de posicionamento de peças.

Artistas como Marcel Duchamp (1887-1968), Alexander Calder (1898-1976), Vasarely (1908), Jesus Raphael Soto (1923), Yaacov Agam(1928), Jean Tinguely (1925), Pol Bury (1922) e o brasileiro Abraham Palatnik (1928), são apontados como expoentes desta linguagem.

Alexander Calder

Móbile

Stábile

Jean Tinguely











Super Meta Maxi

Dança Macabra






domingo, 5 de junho de 2016

TEATRO DE BONECOS

INTRODUÇÃO









Teatro de Bonecos  (Por Ana Lucia Santana)  


A história do Teatro de Bonecos é tão ancestral quanto a do próprio teatro tradicional. Esta arte já está presente entre os primitivos que, deslumbrados com suas silhuetas nas paredes das cavernas, elaboraram o teatro de sombras, visando talvez entreter suas crianças. Desde então o Homem não estancou mais seu impulso criativo. Surgem os bonecos moldados com barro, desprovidos de junções, para posteriormente aparecerem os primeiros exemplares com a união de cabeça e membros.

O Teatro de Bonecos nasceu há muito tempo atrás, no Oriente, principalmente na China, na Índia, em Java e na Indonésia. Lá ele conquistou um status espiritual e era tratado com muita reverência. Os orientais consideravam estes bonecos como verdadeiros deuses, dotados de recursos mediúnicos e fantásticos. Eles eram criados com tamanha perfeição que se tornavam idênticos aos seres vivos, muitas vezes inspirados realmente em personagens reais.


Esta arte desembarcou na Europa através dos negociantes, logo se difundindo por todo o continente. Entre os gregos eles eram portadores de tamanha ousadia, que muitas vezes eram usados como ferramentas para se ironizar o Cristianismo. Os romanos herdaram este elemento cultural e muito contribuíram para seu aprimoramento e conseqüente disseminação.

No universo ocidental, ao contrário do Oriente, vê-se a razão humana tentando dialogar com o sagrado de forma rudimentar. Na era medieval esta arte foi alvo de intolerância religiosa, pois foi utilizado, nesta época, como um meio de evangelizar as pessoas. Ela era normalmente exibida durante as feiras livres nos burgos.

Em terras americanas, o Teatro de Bonecos chegou pelas mãos dos colonizadores, em meados do século XVI, na era das grandes descobertas. Desta forma este movimento cultural aportou no Brasil, mais uma vez como instrumento de doutrinação religiosa. Ele se consolidou no Nordeste, fixando-se especialmente em Pernambuco, sendo batizado na Paraíba como Babau. Através desta arte os artistas podem transmitir ao público sua mensagem impregnada de temáticas sociais.

A graça do boneco está em sua associação de movimento e sonoridade, o que encanta e seduz principalmente o público infantil. O Teatro de Bonecos está sempre intimamente ligado ao entorno histórico, cultural, social, político, econômico, religioso e educativo. Em cada recanto do Planeta, por conta da diversidade cultural, ele recebe um nome distinto.

Na Itália encontra-se o Maceus, posteriormente substituído pelo Polichinelo; na Turquia, o Karagoz; na Grécia, as Atalanas; na Alemanha, o Kasper; na Rússia, o Petruska; em Java, o Wayang; na Espanha, o Cristovam; na Inglaterra, o Punch; na França, o Guinhol; nos Estados Unidos, o Mupptes; e no Brasil, o Mamulengo.

O Teatro de Bonecos ganha existência nos palcos por meio do movimento das mãos do ator que o manipula, narra as histórias e transcende a realidade, metamorfoseando o real em momentos de magia e sedução. Mas ele também tem um alto potencial educativo, podendo se converter em poderoso instrumento nas mãos de um bom educador.

Fontes
http://www.geocities.com/cerridween/history.htm
http://augustobonequeiro.wordpress.com/2007/04/14/historia-do-teatro-de-bonecos/



 Exemplos de bonecos pelo mundo


Bunraku




Wayang

Polichinelo

Petruska

Bonecos tailandeses


Marionete

Karagoz

Punch

Marionete


Fantoche de luva

Mamulengos







Objetivo(s)
  • Estudar as formas de fazer teatro com bonecos e as diferentes técnicas de bonecos/fantoches, com ênfase em bonecos de colher de pau.

Conteúdo(s) 
  • Criação de bonecos feitos em colher de pau
  • O item de cozinha pode ser encontrado facilmente em várias lojas e por um preço bem camarada. Depois é só usar a criatividade para criar os personagens. Você pode usar retalhos de tecido ou feltro, botões, cola, fitas e muito mais.
    Você ainda pode desenhar na madeira e pintar os personagens: crianças, homens, mulheres, animais.-  http://www.xalingo.com.br/blog/2014/07/vamos-fazer-fantoches-de-colher-de-pau/#sthash.bVqATWRE.dpuf
  • Criação do texto teatral para a apresentação das histórias
  • Criação do palco para as apresentações


Ano(s)
  • 7ºs anos A, B, C e D

Material necessário:
  • 1 colher de pau por aluno
  • retalhos de tecidos
  • papel crepom estampado ou colorido
  • tesoura
  • régua
  • fitas
  • lãs
  • olhinhos de boneco (par)
  • canetinha preta
  • cola quente
  • retalhos de papelão
  • livros de teatro de bonecos com textos teatrais para inspirar os alunos.
Interdisciplinaridade
  • O professor de Língua Portuguesa poderá auxiliar na correção dos textos teatrais que os alunos criarão para apresentarem utilizando os bonecos criados por eles.

Desenvolvimento 
  • 1ª ETAPA: CRIAÇÃO DOS BONECOS
  • A colher de pau é a base. 
  • Os elementos a serem inseridos vão depender de que tipo de personagem o aluno irá criar.
  • Alguns exemplos de fantoches...











Mais sugestões de bonecos/fantoches de colher de pau:
https://br.pinterest.com/adrianabarros19/teatro/

PALCOS (SUGESTÕES)



Características:

- Teatro de Tecido cortininha painel com alça para pendurar
- Ótimo para brincadeiras com fantoches e dedoches
- Conte historinhas e ensine as crianças de uma forma diferente
- Estimula a criatividade, representação e interpretação de histórias
- Colorido e chamativo
- As crianças vão adorar brincar e também assistir pecinhas de teatro
- Alças para pendurar e cordinhas laterais para amarrar
- Ótimo para escolas, brinquedotecas, quartos de brinquedo, etc.

Especificações:
- Composição: Feltro e uma barra de madeira
- Dimensões aprox.: 1,60cm x 80 cm




http://www.fabricadebrinquedos.com.br/Teatro_Fantoche1.html 
(SUBSTITUA A CAIXA DE SAPATO POR UMA CAIXA MAIOR. O PROCEDIMENTO É IGUAL, AUMENTANDO AS MEDIDAS DE ACORDO COM O TAMANHO DA CAIXA)



http://blogtiale.blogspot.com.br/2010/11/cenarios-para-teatro-de-fantoches.html







  • 2ª ETAPA: CRIAÇÃO DA HISTÓRIA
  • Os alunos se reunirão em grupos para criarem a história a partir dos personagens feitos por eles nas colheres de pau.

  • 3ª ETAPA: REVISÃO DA HISTÓRIA
  • Correção de eventuais erros de grafia e concordância nas falas das personagens

  • 4ª ETAPA: ENSAIOS E APRESENTAÇÃO
  • Os alunos passarão a ensaiar as falas durante as aulas de Arte e em períodos fora do horário de aula.
  • As apresentações dos grupos se darão na Sala de Artes da escola. 
Avaliação
  • Individual: Durante a confecção dos bonecos (participação e disciplina) e na arte-final dos bonecos.
  • Grupo: Criação da peça e apresentação.
Variação para festas de final de ano

Papai Noel de feltro (vermelho e branco) e
laço xadrez. A carinha pode ser desenhada totalmente ou
os olhinhos podem ser colados.

Carinhas de feltro, laços e cabo da colher pintado em verde ou vermelho
Pintura na colher de pau inteira ( verde para o fundo e pontinhos em
vermelho e branco). Colar um Papai Noel de feltro ou de biscuit
no meio da colher. Decorar com um lacinho na ponta do cabo da colher.

Carinha do Papai Noel pintada diretamente no formato da colher
criando assim a barba do velhinho. Plumante no lugar do gorro.
Pintar o cabo de vermelho e colar um pompom na ponta deste.
Decorar com "oclinhos"e frutinhas no gorro.